Por: Rodrigo Pinto

Já ouviu falar sobre o papel de um agilista? É comum pensar que ser um agilista é fácil: não é gerente de ninguém, não é responsável pela entrega e não precisa ter uma licenciatura ou conhecimento técnico específico, mas ganha um salário de milhares de euros. No entanto, essa é uma visão superficial do que realmente é ser um agilista!

Recentemente, uma pessoa entrou em contacto comigo no LinkedIn e disse que não esperava lidar com todas as questões que surgem dentro da equipa como agilista, o que me inspirou a escrever este artigo para falar sobre o que não lhe contaram dos desafios de assumir esse papel.

Vamos discutir a realidade deste cargo tão importante no mercado de trabalho atual e as habilidades necessárias para ser um agilista ou Scrum Master de sucesso.

Distorções são um fenómeno presente em diversos mercados, inclusive no financeiro, em que um investimento que parece ser de baixo risco pode gerar um retorno muito alto. No entanto, essa situação não é verdadeira ou tende a equilibrar-se com o tempo. No mercado da agilidade, há também distorções, como a ideia equivocada de que para ser agilista não é necessário ter licenciatura, conhecimento técnico ou responsabilidade pela entrega, mas ainda assim receber um salário de muitos euros por mês.

Essa distorção pode atrair muitas pessoas para a profissão, mas com o tempo, a tendência é que a simetria seja restaurada. É importante que as pessoas compreendam a realidade do trabalho de um agilista e que estejam preparadas para lidar com as questões complexas que surgem na rotina da profissão.

Desmistificando a remuneração do Agilista

Muitas vezes, há uma compreensão equivocada que o papel de Agilista é lucrativo e de fácil acesso, sem exigir responsabilidade sobre entrega ou mesmo formação acadêmica. No entanto, a remuneração desse profissional em Portugal e pode ir de €40K a €80K por ano (fonte Glassdoor.com). É importante desfazer esse mito e demonstrar que a remuneração é influenciada por fatores como expertise, resultados e valor entregue ao cliente e à equipa.

O ônus e bônus de ser um Agilista

O papel exige competências específicas para resolver problemas e conflitos, além de ser capaz de mediar debates e gerir situações difíceis. Um Agilista deve ser capaz de remover impedimentos que afetam o desempenho da equipa, o que muitas vezes envolve trabalhar com equipas externas e lidar com situações complexas.

Além disso, ele deve ser capaz de gerir conflitos internos na equipa, mediar debates de ideias e feedbacks. O papel do agilista no desenvolvimento ágil de software vai muito além de apenas seguir um processo. É preciso ter competências e habilidades específicas para lidar com as pressões e os desafios que surgem no dia a dia de um projeto ágil.

Gerenciamento de conflitos e pressão

A mentalidade de assimetria é prejudicial para o trabalho em equipa e pode gerar conflitos internos. Por isso, é importante que todos os membros da equipa tenham a formação e as competências necessárias para contribuir de forma significativa para o projeto.

Além disso, o agilista precisa estar preparado para lidar com pressões externas, como as dos gestores e stakeholders. Normalmente, estes procuram dar feedbacks e pressionar a equipa para cumprir prazos e metas. Nestes casos, o agilista precisa ter competências de comunicação e liderança para lidar com essas pressões e manter a equipa motivada e focada nos seus objetivos.

Porém, é importante lembrar que a pressão e os prazos fazem parte do desenvolvimento ágil e que o agilista deve estar preparado para lidar com esses desafios. Afinal, a efetividade da equipa é sua responsabilidade e, para alcançá-la, é preciso saber lidar com as dificuldades que surgem ao longo do caminho.

Em resumo, ser um agilista requer muito mais do que seguir um processo. É preciso ter competências de liderança, comunicação e resolução de problemas para lidar com as pressões e os desafios que surgem durante o desenvolvimento ágil. Com estas competências, o agilista pode ajudar a equipa a alcançar os seus objetivos de forma efetiva e colaborativa.

O papel do Scrum Master como líder da equipa ágil

O Scrum Master é uma liderança dentro da equipa ágil e, como tal, deve dar o exemplo e agir de acordo com os valores e princípios do Agile. Isso significa ser responsável pelas entregas, pelo horário e pela organização da equipa. O Scrum Master não pode dar-se ao luxo de chegar atrasado ou não cumprir com as suas obrigações, pois isso compromete a efetividade da equipa e vai contra os ideais do Agile.

Assim, para ser um bom líder dentro da equipa, este Agilista deve chamar as pessoas à responsabilidade, ser um exemplo de comportamento e estar disposto a lidar com a pressão e as dificuldades que surgem no contexto do desenvolvimento ágil. Além disso, é importante lembrar que a liderança não é uma posição de privilégio ou assimetria, mas sim de responsabilidade e comprometimento com o sucesso da equipa como um todo.

A importância do conhecimento técnico para o papel do Scrum Master

Muitas vezes diz-se que para ser Scrum Master não é obrigatório ter formação superior ou conhecimento técnico em desenvolvimento de software. No entanto, isso não significa que o conhecimento técnico não seja importante ou que deva ser negligenciado. Na verdade, ele pode trazer grandes benefícios para o profissional e para a equipa.

Um Scrum Master que entende de desenvolvimento pode ajudar a equipa a lidar com desafios técnicos, a identificar possíveis melhorias no processo de desenvolvimento, a tomar decisões mais informadas e a compreender melhor as necessidades do produto. Além disso, o conhecimento técnico pode ajudar o Scrum Master a comunicar-se melhor com os desenvolvedores, a compreender melhor as demandas da equipa e a ser um líder mais efetivo.

Por isso, é importante que o Scrum Master não negligencie o conhecimento técnico. Isso não significa que o profissional precise ser um programador experiente, mas sim que ele deve ter uma boa compreensão do processo de desenvolvimento e das tecnologias envolvidas.

Além disso, o Scrum Master deve estar familiarizado com diversos conceitos e competências relacionados à agilidade e ao desenvolvimento de produtos, tais como ciclo de vida do produto, OKR, métricas de produto e de fluxo, gestão de portfólio, design thinking, negociação em startup, modelo de negócios, design organizacional, equipas de alta performance, feedback, soft skills, técnicas de retrospectiva, team building e equipas remotas.

Portanto, embora não seja obrigatório ter conhecimento técnico para ser Scrum Master, investir na sua formação técnica e em competências relacionadas à agilidade pode ser um grande diferencial para o profissional e para a equipa que ele lidera.

Conclusão

Em conclusão, é importante lembrar que ser um Scrum Master ou um Agilista não significa apenas ter um título ou uma posição de liderança numa equipa. É necessário comprometimento, responsabilidade e conhecimento técnico para desempenhar bem essas funções. A dinâmica de crescimento de carreira como um Agilista envolve investimento constante em aperfeiçoamento e aprendizagem em diversas áreas, desde competências técnicas até soft skills e conhecimento em gestão de produtos.

É possível sim ter uma boa remuneração e benefícios como um Agilista, mas é preciso estar ciente de que isso vem acompanhado de um grande investimento em si mesmo e no seu desenvolvimento profissional. Sair da dinâmica de assimetria do mercado de trabalho e comprometer-se com um crescimento sustentável e consistente é o caminho para se destacar como um profissional de sucesso no mundo Ágil.

A Sprint Retrospective, ou apenas Retrospectiva, é um evento suportado pelo Scrum Master e que conclui um ciclo (uma Sprint) no Scrum. Sobretudo, esse é o momento em que a equipa revê suas ações, o processo de trabalho e cria um plano de melhorias para a próxima Sprint.

É importante seguir algumas regras para fazer as retrospectivas corretamente, como criar um plano de ação aplicável para a próxima Sprint, dentro do timebox e com a participação de todos que compõem a Equipa Scrum.

Nesse evento também são abordados três temas principais e muito importantes: as pessoas e suas interações, o processo de trabalho e as ferramentas que a equipa utiliza.

No entanto, muitos agilistas ainda encontram dificuldades em tornar a sua retrospectiva um evento agradável e útil para todos, por isso, separamos aqui uma série de materiais (como livros, sites, dinâmicas e ferramentas) que irão melhorar e muito o seu evento.

Livros sobre a Retrospectiva da Sprint

Agile Retrospective: Making Good Teams Great (Esther Derby, Diana Larsen)

Nesse livro, as autoras Derby e Larsen irão revisitar a importância de uma boa retrospectiva para que a equipa ágil possa estar sempre apontando os pontos de melhoria das sprints, buscando cada vez mais eficiência e resultados positivos.

Através de ferramentas e dicas, o livro ensina como realizar o evento de forma interativa e projetá-las especificamente para o perfil da sua equipa, dessa forma, podendo lidar melhor com problemas e desenvolvendo soluções ágeis.

Improving Agile Retrospectives: Helping Teams Become More Efficient (Marc Loeffler)

Em “Improving Agile Retrospectives”, o agile coach Marc Loeffler irá combinar orientação prática e comprovada assim como abordagens inovadoras para maximizar o valor das retrospectivas para a sua equipa e toda a organização.

Os seus exemplos extremamente detalhados irão ajudar a notar armadilhas comuns das práticas de retrospectiva e adaptar este evento às suas necessidades, de forma a alcançar bons resultados. Além disso, ele mostra como aprender com os fracassos e sucessos, e integra conceitos inovadores nessa prática ágil (como pensamento sistêmico e experimentação).

Fun Retrospectives: Atividades e ideias para tornar suas retrospectivas ágeis mais envolventes, (Paulo Caroli, Tainã Caetano Coimbra)

Este livro possui ótimas avaliações dos seus leitores! O seu objetivo é ser prático, trazer dinâmicas e atividades que irão unir ainda mais a equipa, deixando-os à vontade durante a realização da retrospectiva.

Na primeir parte, o livro destaca a importância das retrospectivas no ambiente ágil. Os autores explicam como essas reuniões, realizadas no final de cada sprint, são essenciais para a melhoria contínua da equipa. Eles enfatizam a necessidade de manter essas sessões envolventes e produtivas, evitando a monotonia e incentivando a participação ativa de todos os membros da equipa. O livro introduz a ideia de que as retrospectivas não são apenas um momento de reflexão, mas também uma oportunidade de fortalecer a equipa e promover um ambiente de trabalho colaborativo e inovador.

Em seguida, os autores apresentam uma variedade de atividades e técnicas para dinamizar as retrospectivas. Essas atividades são categorizadas de acordo com diferentes objetivos, como quebrar o gelo, gerar insights, priorizar ações e melhorar a comunicação da equipa. Cada atividade é detalhada com instruções claras, objetivos e dicas para facilitação. O livro também aborda questões como lidar com desafios comuns em retrospectivas, como a falta de engajamento ou resistência a mudanças. Com exemplos práticos e dicas úteis, o livro torna-se um guia valioso para qualquer equipa que busca aprimorar as suas práticas ágeis e promover um ambiente de trabalho mais colaborativo e produtivo.

Project Retrospectives: A Handbook for Team Reviews (Norman L. Kerth)

Norman L. Kerth, consultor de agilidade, apresenta no seu livro como tornar a sua retrospectiva bem-sucedida e segura, e para isso, mostra maneiras de facilitar o evento através da confiança entre os membros da equipa.

A sua principal ferramenta é a “Kerth's Prime Directive”, que indica a compreensão e aceitação de que o trabalho foi realizado da melhor maneira possível, independentemente das descobertas e dificuldades. Além disso, o autor oferece dicas para lidar com as questões emocionais e sensíveis que podem ocorrer dentro das retrospectivas.

Getting Value out of Agile Retrospectives: A Toolbox of Retrospective Exercises (Luis Gonçalves, Ben Linders)

Dos livros indicados, este é o mais curto, o que torna a sua leitura rápida, mas contém valiosas informações e exercícios que podem ser utilizados para agilizar a sua retrospectiva, assim como os benefícios e razões de cada uma dessas dicas.

The Retrospective Handbook: A guide for agile teams (Mr Patrick Kua)

Este material é essencial para quem realiza as retrospectivas regularmente. O autor, Mr Patrick Kua, reúne 8 anos de experiência profissional em agilidade para transmitir conselhos práticos sobre como tornar as suas retrospectivas eficazes e que resultem em mudanças positivas.

Dinâmicas que irão melhorar sua retrospectiva

As dinâmicas são formas de facilitar a retrospectiva e unir a equipa de forma eficaz. Elas são divididas em três categorias, que são: Team Building, focada em trazer uma reflexão acerca da importância do trabalho em conjunto; Retrospective, que foca na reflexão sobre ações passadas; e por fim, a Futurespective, que traz alinhamento sobre atividades que serão realizadas futuramente.

Existem diversas formas de realizar esse evento sem torná-lo maçante, como através de jogos, cafés da manhã, círculo de apresentação, entre outros. Tudo isso é focado em trazer mais união à equipa e melhorar os resultados e entrega de valor.

Por isso, separamos alguns conteúdos úteis com atividades para as dinâmicas (algumas, até retiradas do “Fun Retrospectives”, que já citamos neste texto). Confira a seguir:

Ferramentas e sites que irão te ajudar na Retrospectiva

E aí, gostou das dicas?

Se ainda quer evoluir a sua atuação como Scrum Master, melhorar a retrospectiva e auxiliar a sua equipa de forma ágil, não se esqueça de conferir as nossas datas para o treinamento de PSM e garantir a sua participação neste curso com certificação internacional!

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